segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ausência

                                                     Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência assimilada, 
 ninguém a rouba mais de mim.




Carlos Drumond de Andrade
  



2 comentários:

Minhas Poesias Irradiantes disse...

Parabéns pelo post de Drumond, que as vezes não sempre ausência é um estar em mim. Como diz o Poeta e escritor com Bela inspiração.

carlos roberto disse...

Carlos Drummond de Andrade dispensa comentários, Rose!

Lindo poema! Bela postagem!

Um beijão...