segunda-feira, 20 de abril de 2009

Até Amanhã


Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude , o vento e as areias.

Eugénio de Andrade

2 comentários:

ivandro disse...

Leio seus poemas e os senimentos vem a tona a poesia toca na gente.

Filosofia de gaveta disse...

Olá

estou lhe repassando dois selos que recebi do Xandy, é só entrar no meu blog e pegar.

Abraços

http://filosofiadegaveta.blogspot.com/2009/04/recebi-e-agora-repassando.html